domingo, 3 de outubro de 2010

#EUQUERO






Tem como não amar tudo?

Eis um texto de Tati Bernardi que me defini em absoluto:

"Atrás da pista tem um bar e atrás do bar tem um sofá. Estou sentada nesse sofá. Aguardo ansiosa por algo, olho as horas no celular, checo o e-mail pelo Iphone, reclamo com minha amiga “tá demorando”. Ela me pergunta se é o show, se é a menina passar com a comida. O que é? Não sei. Mas tá demorando. Em cima do bar, no teto, tem um daqueles globos que sempre tem. Olho pro globo e penso que estou uma eternidade sentada naquele sofá. Mais de trinta anos? Descanso os cotovelos nos joelhos e me arrependo, enquanto todos querem ver e ser vistos, eu fico nessa posição feia de vaso sanitário. Minha amiga vai fumar. Eu me animo “já tenho pra onde ir”. Eu não fumo, eu odeio cigarro, eu odeio atravessar a festa inteira pra chegar até lá fora, eu odeio a amizade instantânea das rodinhas de fumantes que não se conhecem, eu odeio festas em geral, eu odeio papos de festa, eu odeio conhecer gente que não tem nada a ver comigo, e sorrir para os papos mais furados do mundo. Mas eu já tenho pra onde ir. E vou. E ao chegar lá fora, continuo achando que está demorando. Sinto falta do sofá agora. Mas quando minha amiga acabar o cigarro, eu já terei novamente pra onde ir. E assim uma festa chata me lembra muito a vida. A eterna oscilação entre ir lá fora ver e voltar pro sofá, sempre só pra ter pra onde ir. Chegou agora um ex amor. Ele entra com sua esposa. Ele me abraça enquanto ela segue em frente sem olhar pra trás. Faz aí uns 3 ou 4 anos que não damos um abraço. A gente sempre fugia das festas pra fazer sacanagem no carro dele. Não sinto saudade. Passou, faz tempo, não sinto nada. Nada. Talvez só sinta mais claro o que eu já sentia antes. Antes de sair de casa. Antes de ficar indo do fumódromo pro sofá e vice-versa. Eu só sinto agora, com esse abraço que não me fez sentir nada, com mais clareza, o que eu já sentia antes e muito antes de antes. Eu sinto que está demorando. Eu olho de novo no celular. Eu posso ir ao banheiro e isso já é um lugar para ir. Me animo. Não, não me animo. Tudo me deprime. Eu ficar chupando a barriga pra dentro pra esconder que tenho um pouquinho de pança, eu ficar me equilibrando no salto, eu ficar fazendo minha cara de “não encosta em mim”. Tudo me deprime. As pessoas falando de trabalho, as pessoas forçando falar qualquer absurdo só porque o óbvio seria falar de trabalho. E principalmente: o grupinho de moças muito altas e muito loiras que não trabalham mas estão lá porque estar nesses lugares é o trabalho delas. Tudo é tão chato mas eu fiz cabelo e maquiagem. Antes da meia noite não dá pra ir embora. Preciso me gastar um pouco pra não dormir tão antes de tudo dar errado. Eu sei, eu deveria beber. Mas pra quê? Pra achar essas pessoas legais? Pra suportar o insuportável? Sou cínica demais pra dar esse gostinho ao mundo. E eis que adentra à festa o rapaz que, não faz nem uma semana, me pedia que eu não fosse ainda, só mais um pouquinho, espera amanhecer, porque, depois, você sabe, dá tanto sono. De mãos dadas com a moça que vive dando entrevista dizendo que eles se comem mesmo, o tempo todo. E isso não me dói em nada. Foi só um moço muito bonito que durou uma semana. Mas ele também reforça meu pé inquieto batendo ritmadamente: será que demora? Não sei. Não, não demora mais. Olho pra porta e ele acabou de chegar. Eu fui na festa por causa dele. Então era isso, eu tava esperando o tal do moço que me convidou pra festa. E então ele fala comigo e encosta um pouco em mim e eu penso em ser muito honesta. Olha, fulano, eu acho tudo isso um saco, sabe? Eu odeio a cordialidade dos bichos. Todo mundo se elogia, fala de trabalho, conhece gente, faz piadinha ruim. Mas tá todo mundo pensando o que vai ter pra comer e também pra comer. Eu vim aqui porque, sei lá, desde que te vi na reunião e eram oito da noite e você estava muito cansado mas, mesmo assim, você estava muito cheiroso e falou coisas muito inteligentes, eu fiquei a fim de te beijar na boca. Então, dá pra pedir pra esse bando de amigo chato, que fica puxando seu saco, desaparecer do mapa? A menina com a perna gorda pode, por favor, nos deixar em paz? Você pode, por favor, parar de mexer no cabelo da minha amiga e parar de dar risadinha no ouvido dela e sumir daqui comigo? Não, ele não pode. Ele não é a resposta. Ah, Tati. Você deveria saber. Eles nunca são a resposta. Nunca foram. Que é que você quer? Por que você olha tanto pro celular? Existe alguém no mundo, nesse momento, que poderia te ligar agora e te deixar feliz? Não. Ninguém é a resposta. Nem o sofá, nem a festa, nem ficar em casa, nem a água com gás, nem olhar com nojo para o grupo de piriguetes vips que não prestam pra nada a não ser frequentar festas para sair em revistas e angariar empresários. Finalmente já tenho o que esperar: o carro. Finalmente já tenho o que fazer: ir embora. Na verdade a única coisa que estou sempre esperando e querendo é ir embora. De todos os lugares, de todas as pessoas. Eu não estou esperando nada a não ser o tempo todo sair de onde eu estou".

Tati Bernardi

MIMIMI Amor

O amor veio quietinho, silencioso e só me dei conta quando já tomou conta. Foi como virar criança de novo e brincar de cosquinha de novo, de me ver fazendo bico e mimos, de sorrir cada vez que toca a música do nosso primeiro beijo. Ter paciência de aprender as manias e para gostar dos velhos hábitos que você tem. É gostar mais do teu shampoo que do meu e de achar estranho você gostar da minha cama de solteiro. É ter ciúmes da cama de solteiro e da gente só conseguir ficar agarrado, até quando tô morrendo de calor. É você gostar de John e de Sinatra só por causa da brincadeira do casamento. São as pequenas coisas da nossa rotina, que só é rotina porque nós dois decidimos assim. Foi descobrir que amor é você, porque você virou o meu melhor amigo, meu pai, meu amante, meu filho e companheiro. E acima de tudo, por você ter tido paciência, esperado as coisas acontecerem naturalmente desde o início e depois disso eu que fiquei louca por ti, completamente maluca por ti. E a vida me surpreendeu contigo, amor, me passou uma rasteira das grandes. Porque acabei assim: te amando. E como eu te amo.


"The more I see you,
The more I want you.
Somehow this feeling
Just grows and grows.
With every sigh I become more mad about you,
More lost without you,
And so it goes.
Can you imagine
How much I'll love you?
The more I see you
As years go by
I know the only one for me can only be you.
My arms won't free you;
And my heart won´t try"

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Glee

Sou completamente maluca por musicais. Acabei de ver primeira temporada de Glee de novo e deixo vocês com um pedacinho do ultimo episódio. Pra quem gosta de musical eu indico muito! Tô aqui passando mal de chorar. Adoro!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Los Hermanos

Mais dia, menos dia, acabo cruzando com eles. No som do shopping Center, na playlist de alguma carona ou em uma viola. Los Hermanos. E a vida ta me enchendo de pancada, daquelas brutas, que deixam cicatrizes pro resto da vida. Estou aprendendo, estou amadurecendo e meu coração está de fato mais calmo, mais doce e mais aberto, menos nervoso com o background. Ainda levo aquele medo dentro da bolsinha de moedas, mas me agarrei na oração e tudo voltou pro lugar. Alias, tudo ganhou novo lugar. Agora sou como uma casa em reforma, me desfazendo dos móveis velhos pra que os novos possam caber perfeitamente no espaço e me deixarem aconchegada. E tem um perfume novo, tão intenso, tão claro...tão novo. Tem um perfume tão seu e que agora é tão meu. É você mudando tudo, tomando conta.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

The book

Levando ao pé da letra o ditado que diz que eles se atraem: os opostos. O completo avesso, contrário, inverso, chame do que quiser, mas somos tudo o que o outro não é.
Até então estava tudo mais ou menos bem. Estava me acostumando com você ser organizado daquele jeito creepy, sem falar na coleção ridícula de filmes que tu tens, nos cd’s de MPB que não são humanamente aceitáveis, tava tudo descendo. Passada a sexta-feira das manias e quase o sábado inteiro da família, tu me trancas no quarto com aquele livro, porra. Isso só pode ser pegadinha. Tu estavas lendo e eu não tinha nada pra fazer?! Nada?! Tinha que ser homem mesmo! Odeio não ter nada pra fazer! ODEIO!!!
Aí tu me deste o primeiro puxão de orelha:
- Te aquieta, amor!
Tô suando frio até agora. Amor? Ai merda. Achei lindo. Deitei e dormi. E Já é terça e ainda to babando. E que fique combinado que vais te esforçar pra fazer de mim menos feliz e menos sorridente, as pessoas estão achando que eu ganhei dinheiro, amor.

domingo, 12 de setembro de 2010

Sábado


"Se carece de definição: me sinto leve
Céu azul na bolha de sabão que o vento leve
como folha, o coração
Ao te refletir, um espelho em si
vira quadro ou vira arte
Salvador Dalí não ousou imaginar-te"

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Change

Antes de o sono me derrubar por completo. Antes de colocar a cabeça no travesseiro e navegar na escuridão da mente dormente, preciso registrar o que estou sentindo hoje. Antes que a noite os mude, vou escrever pra ter certeza de não esquecer.
Eu estava muito nervosa de encontrar com ele hoje. Senti aquele medo de sempre, de errar, mas eu precisava falar, explicar o motivo de continuar agindo de forma estranha e distante. Eu disse que estava com medo de gostar dele, porque a ferida de antes ainda estava lá e ,mais uma vez, quando pensei que isso seria um ponto final, ele entendeu e eu senti uma coisa indescritível ouvindo aquilo, uma coisa que não cabe só no conceito de felicidade. Era mais. Eu tenho medo de estragar isso, de estragar essa vontade que ele tem de ser feliz comigo, mas não consigo mais resistir. Tem muita coisa pra resolver ainda, mas eu confio nessa vontade com a minha vida e eu sei que isso é especial. Eu sinto isso, tão certo como sinto o vento no meu rosto.



"If you knew that you would die today
If you saw the face of God and love
Would you change?"

O homem mais bonito do mundo











Cássio Reis. Alguém me abana, que eu tô passando mal.

Jamie Cullum - Lover You Should Have Come Over

Mudanças

Entre minhas sobrancelhas existiam duas linhas, que só deveriam estar ali em momentos tensos, quando a testa se contrai, mas estavam sempre ali...há sabe-se lá quanto tempo. Apareciam nas fotos, no espelho e quase não podia mais reconhecer a pessoa que me encarava amargurada, que me olhava com as sobrancelhas juntas com ódio de eu ter permitido que elas estivessem ali por tanto tempo. Sem razão nenhuma hoje elas desapareceram e eu parecia feliz no reflexo. A cabeça estava leve, o corpo se sentiu saudável e caminhei de costas eretas, até sorri pro senhor que cantava na rua e fui embora murmurando aquela canção. Acho que estou feliz hoje...é, acho que estou feliz hoje.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

PS.

Ontem postei um texto antigo aqui que tinha escrito pro meu primeiro namorado e logo depois achei melhor apagar, ainda mais com aquela foto dele gatíssimo (hauahuah). Ele foi um cara importante na minha vida, mas é melhor não expor coisas que eu já senti e épocas que sinto falta por vários motivos, é um assunto muito delicado que pode ganhar várias interpretações e é uma coisa muito importante pra estar escrito daquela forma de ontem. Aqui e na vida preciso de coisas novas, como a que escrevi aí do lado: “É a estrada, é o caminho, é pra frente!”. E esse é foco.

Ai meu Deus

Não consigo fazer nada. Tento assistir um filme e me vem uma lembrança. Tento dormir e a cabeça não pára. Tento ouvir música e não relaxo. É ansiedade. Estou tento uma daquelas crises de sempre.
Não consigo atender meu telefone pra sair com ninguém, principalmente aquele alguém. E era o que eu queria, eu sei. Foi como disse pro Luiz “não quero me envolver com ninguém”, mas é isso que eu sempre faço...me envolver. E estou aqui sem nenhuma unha, descabelada e insone, precisando de ajuda profissional. Como eu consegui me deixar chegar a esse ponto? Como fiquei tão magoada com a vida? Quantas pessoas eu deixei passarem por mim?
Eu não quero deixar esse cara ir embora sem tentar, mas eu não sei como fazer as coisas certas. Eu já gosto dele (é, também já gosto de ti) e é isso que sempre complica as coisas, quando eu gosto de alguém. Não sei o que fazer. Eu sempre relaxei perdendo, porque a responsabilidade é de outra pessoa e eu me viro bem sozinha. Faz muito pouco tempo que sai daquele tornado, ainda nem respirei direito, e dessa vez eu tenho o que queria bem aqui, bem na minha frente, e estou com medo. Alias, estou apavorada! E depois? O que eu vou fazer se a gente se envolver e tiver uma história? Eu não me sinto preparada pra ficar com o garoto bonito.
E o lado positivo é que ele me faz feliz até quando eu to triste. Ele já descobriu que mesmo se eu estiver brava, se ele sorrir eu também vou sorrir. Eu adoro o jeito que ele passa a mão no meu cabelo e o jeito que ele me abraça me protegendo. Aí, ta vendo? Já me ferrei. Vou tentar dormir de novo.
E se tu leres isso não me enche o saco, não tem nada aqui que tu não saibas e não fica feliz, isso não significa nada (ainda).

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Você pode ir na janela

Eis que você consegue um encontro. Só aí já estas na frente de muita gente, mesmo que ainda chame uma saída de encontro, como a sua vó faria. Faz pouco tempo que voltei ao mercado. Quer dizer, faz um tempo que voltei ao mercado, mas consegui um cara interessante. Ele me liga três dias antes e me convida pra jantar. Rolou até a esperança de que esse fosse um cara diferente, sabe?
Antes mesmo de pensar na roupa que iria vestir resolvi me acalmar e cair na realidade: esse jantar pode não ser esse sucesso todo. Depois que me restabeleci, aí pensei na roupa e nas diversas e hipotéticas formas que esse jantar poderia acabar. Mesmo ele sendo aquele cara lindo que eu tinha visto rápido no bar aquele dia, saí de casa decidida a não liberar nem meu e-mail!
Chegou o dia. Várias mensagens engraçadas no meu celular e a expectativa foi subindo. Eu me arrumei, fiquei pronta no horário e ele foi pontual. Mais um ponto positivo. Entrei no carro, ele beijou meu rosto. Tchanam, mais um. A conta foi ficando alta, talvez eu seja mais flexível com o sexo. O restaurante era de massas, ele abriu a porta do carro, ele reservou a mesa, ele chamou o garçom e ele fez o pedido. E aí já era eu que estava ficando preocupada em não ter sexo.
A conversa de dois estranhos é sempre chata, não que ele seja um completo estranho, mas não somos amigos. Falamos sobre várias coisas e nada engatava um bom papo, até que ele menciona um filme qualquer e, pronto, arrumamos assunto para o resto da vida. Enquanto ele falava de “A origem” eu o encarei, como todo mundo que estava no restaurante também o fez. ‘Ele é bonito demais’, eu pensei olhando fixamente aqueles olhos verdes e tenho certeza que todo mundo estava pensando a mesma coisa. Porque eu? Sou baixinha, gorda, chata, não tem nada que compense. Olhei de novo e deixei escapar em voz alta: “Sério, porque eu?”. Acho que assim que falei entrei em transe, meu coração não acelerou, simplesmente parou junto com minha circulação, meu raciocínio. Em seguida ele sorriu e disse: “Eu te acho bonita e gosto do teu jeito”. Ahhh, ta explicado agora...ele é maluco e míope. Depois do que eu tinha dito pensei que as minhas chances tinham ido pelo ralo, mas as coisas continuaram evoluindo. Estranho? Estranho.
O resto do que aconteceu fica comigo, guardado no meu diário com cadeado. E...'Gram'? Fiquei feliz de saber que ainda existe quem prefira CD's com os velhos encartes.

"Se não vai
Não desvie a minha estrela
Não desloque a linha reta"

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Eliza Doolittle - Pack Up




"Don’t worry, there’s no doubt
There’s always something to cry about
When you’re stuck in an angry crowd
They don’t think what they say before they open their mouth, you gotta
Pack up your troubles in your old kit bag
And bury them beneath the sea
I don’t care what the people may say
What the people may say bout me.
Pack up your troubles get your old grin back
Don’t worry about the cavalry
I don’t care what the whisperers say
'Cause they whisper too loud for me"


obs: Eu queria ser um contrabaixo.(L)

Mais...

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